ressignificar

Passei o dia inteiro meio sem entender o que estava sentindo. Eu sabia que dia era, desde do momento em que acordei, mas ao mesmo tempo em que me deu uma pontada de tristeza, de luta, eu também tive um pensamento: não quero sentir tristeza.

o “aniversário” de morte, como muitos dizem da minha mãe é hoje. Dia 14 de maio. Um dia que a gente intensifica a morte dela, eu não julgo quem usa esse dia como um marco, mas eu não quero isso pra mim. Nos últimos meses, a morte fiou de frente comigo, perdi algumas pessoas e isso me atravessou.

Pra mim, não é sobre “o ciclo da vida”. É sobre a morte mudando o rumo das coisas. É sobre ser obrigada a encarar a ausência, a falta, a transformação que ela deixa.

Hoje faz 6 anos.

E no meio disso tudo, ouvi uma frase que me atravessou de um jeito diferente:
“Todo mundo diz que ela teria orgulho de você…
mas orgulho é moeda inútil pra quem sente saudade.”

E é isso. Quem já perdeu… sabe.
Sabe que a falta mora em outro lugar.

Não é nos grandes momentos. Porque nesses, a gente tá cercada, distraída, preenchida. A falta mora no silêncio. Porque a morte tem um gosto que vai além da saudade. Saudade, às vezes, pode até ser bonita. Mas a saudade da morte… dói. É buraco. É vazio.

E apesar de toda falta e do vazio que esse sentimento fica. Eu vivi, eu pude viver momentos lindos e incríveis com ela, mas não apaga aquele sentimento… de que eu daria tudo por mais cinco minutinhos.

Pra abraçar.
Pra sentir o cheiro.
Pra só estar ali, de novo.

Hoje, eu quero ressignficar esse dia. Ao menos tentar. O silêncio e a falta que ela nos faz é enorme, mas saber que eu ainda tenho um pouco dela em cada almoço, janta, cafés, saídas e conversas com vocês é de deixar o coração quentinho.

A ausência dela permanece, mas as vezes é silenciada, em cada conversa, risada e união que ainda temos juntos.

Hoje faz 6 anos que você morreu mãe, mas faz 6 anos, que a união só aumenta e cresce aqui dentro.
te amamos pra todo sempre.