Hoje me peguei pensando em algo que me atravessou por completo. Há alguns anos, eu saía de um relacionamento longo e assisti a um filme chamado “Como Ser Solteira”. E cá estou eu, quase dez anos depois, vivendo um déjà-vu emocional — com as mesmas reflexões, os mesmos dilemas, só que agora com um toque de maturidade… ou talvez apenas com outro olhar.
Essa noite, esses pensamentos me invadiram de uma forma dolorosa — ou será que foi só a maturidade pedindo espaço?
Hoje eu tinha esperança de que as coisas seriam diferentes. Eu amo pagode, e tudo o que queria era cantar com a mão levantada, me perder nas letras que falam sobre amor e desilusão.
“Você jogou fora o amor que eu te dei…”
E foi ótimo, de verdade. Aquelas músicas me lembraram de uma época boa — mas que já passou.
Só que, logo depois desse momento de nostalgia, veio uma escuridão. Um desespero.
Uma vontade súbita de ir embora.
E então, percebi: depois de quase dois meses, eu realmente era solteira de novo.
Mas e aí… single and now?
Será que ser solteira significa precisar ir a todas as festas, todas as baladas, “caçar” alguém, baixar todos os aplicativos de relacionamento?
Porque às vezes parece que ser solteira é isso: viver falando de homens — (sim, hétero falando, rs).
O que foi escroto, o que fez você se apaixonar, o que era tóxico, o que beijava bem. Mas… é só isso?
Estar naquele ambiente me fez entender que eu não quero ser um pedaço de carne em uma vitrine, esperando validação.
Eu sou mais que isso.
E a autoconfiança depois de um término… é um estudo à parte. Ela oscila, vai e volta.
Tem dias em que ouvir um “você é linda” aquece o coração.
E tem outros em que o mesmo elogio te faz revirar os olhos.
Desde quando ser solteira virou sinônimo de colecionar bocas?
De quando pra cá a gente aceitou isso e achou que estava tudo bem?
Longe de mim dizer que não quero beijar — claro que quero. Mas ser solteira é muito mais do que isso.
É sustentar o próprio amor, escolher apenas quem também escolhe você, manter os limites que você mesma traçou.
É lembrar que você é mais do que um corpo bonito.
A pessoa com quem queremos estar nunca pode ser mais valiosa do que nós mesmas.
E talvez essa seja a maior dádiva de estar solteira: estar bem consigo a ponto de não aceitar menos do que merece.
Ser solteira, afinal, é um recomeço.
Uma vida nova, cheia de significados, aprendizados e amadurecimentos.
E agora?