L I F E

entrelinhas #3

O Entrelinhas desse mês vai ser um pouquinho diferente. Não tem vídeo de março (mesmo eu tendo até gravado algumas coisas), mas março me trouxe reflexões — daquelas que pedem para virar palavra pra fazer sentido. Talvez seja isso que eu queria fazer aqui: falar, desabar, organizar o que ficou dentro.

Março começou torto. Começou com uma dengue que só largou meu corpo muito tempo depois. Foram duas semanas muito difíceis: febre, dor no corpo, dor nos olhos, cansaço absurdo. Eu dormia o dia inteiro.

Passei praticamente esse período todo dentro de casa, sem energia pra nada. Então foram dias de muitos filmes, séries, livros… e sono. Muito sono.

Fisicamente, hoje eu estou bem — tomei remédios, me hidratei, me cuidei. Mas emocionalmente ficou uma rachadura. Eu sempre fui sensível, mas nos últimos anos eu tenho mergulhado num lugar interno mais profundo, mais frágil. Estou em tratamento, mas tem sido uma luta silenciosa, sabe?

E eu percebi que perdi o brilho. Aquela felicidade leve que eu tinha com a vida. Sei que muita coisa mudou, e isso mudou a forma como eu vejo o mundo.
Mas eu tinha gana de viver, vontade de experimentar tudo, era determinada. Hoje eu sinceramente não sei onde tudo isso foi parar. E nem estou falando da Maira antes da morte da minha mãe — que foi uma perda gigante — mas, por exemplo, a Maira de 2022… ela sorria muito.
E dói admitir que hoje eu sorrio menos do que eu gostaria.

Eu sei que são fases. Sei que tem momentos da vida que a gente simplesmente não controla. Mas eu estou mentalmente quebrada, emocionalmente exausta. Talvez tenha sido um conjunto de coisas, relacionamentos, ciclos… pessoas, a insistência em permanecer em lugares que não me cabe… mas no fim eu sei que só eu posso me resgatar.

Março foi um período mais “off” pra mim, e viver assim me fez enxergar que algumas mudanças são necessárias — e que talvez eu queira mesmo viver mais assim: no simples, no silencioso, no essencial.

Mas tirando toda essa parte mais emotiva e sentimental, tive várias coisas boas também no mês de março. E que sempre é válido lembrar os pequenos momentos de prazer que a gente tem na vida.

  • Eu organizei uma festa de despedida pra minha amiga/irmã, e foi maravilhoso, nos divertimos, dançamos, rimos, foi um momento muito feliz.
  • Fui pra Minas e conseguimos passar o aniversário da minha tia, que é uma avó pra gente, com ela e ver minha família reunida, rindo, conversando, em volta de uma mesa de coisas deliciosas, só me faz lembrar que a familia pra mim é a base de tudo!
  • Tive conversas muito boas com meu pai e com meu irmão que me fizeram amá-los mais ainda.

A vida tem seus pequenos detalhes pra fazer ser linda né 🤍​✨​

6 Comentários

  • Taís

    Que bom que você se recuperou da dengue e pode viver momentos que fazem a vida valer a pena, e com pessoas que você ama.
    Eu me indentifiquei muito com suas palavras, porque já passei por algo assim e é difícil, espero que você volte a sorrir como antes <3
    Taís recently posted…5 coisas que me fazem felizMy Profile

  • Taís

    Que bom que você se recuperou da dengue e pode viver momentos que fazem a vida valer a pena, e com pessoas que você ama.
    Eu me indentifiquei muito com suas palavras, porque já passei por algo assim e é difícil, espero que você volte a sorrir como antes <3

  • Bruna Both

    Oi Maira!

    Guriaaaaaaa…. dengue é um porre! Que bom que você está se sentindo melhor e o pior passou.
    Sabe que essa sensação de esgotamento e momentos reflexivos tem batido horrores aqui? Não sei se é uma época, energia esquisita, inquietação, mas eu penso demais em tudo isso. Não pode ser que a gente se perdeu no caminho sem nem notar.

    Torço pra que você consiga se achar de volta, do jeito que mais te faz feliz e bem.
    Abração

    https://falacatarina.com/blog/
    Bruna Both recently posted…2 aninhos da LolôMy Profile

  • Luly Lage

    Oi, benzinha!
    Eu acho que a dengue se tornou uma doença tão “comum” no cotidiano das pessoas, e nem devia ser, né, mas é num nível que elas, de modo geral, não fazem IDEIA do quanto é uma doença pesada e perigosa. Já faz 25 anos que tive dengue e eu ainda lembro quase fisicamente da dor nos olhos, é difícil explicar pra quem nunca sentiu, mas é uma dor que espero nunca mais sentir de novo… Que bom que você foi se recuperando, sinto muito que tenha passado por isso.
    Sobre esse brilho no olhar que parece que apagou, ser adulta é meio que isso, né? É ir perdendo, dia após dia, um ou outro encantamento com a vida. Claro que alguns a gente acaba mantendo, mas não tem como manter todos. ainda assim, lendo o que você disse da conversa com seu pai e irmão, vi muito brilho nesse acontecimento!
    Luly Lage recently posted…Cinco coisas que estão me fazendo feliz ultimamenteMy Profile

  • Emy

    Caramba Ma, dengue é terrível mesmo, eu nunca peguei, mas meu marido ficou derrubado uns meses atrás. Mas que bom que você já está se recuperando !

    Poxa… Eu me identifiquei demais quando você disse “E dói admitir que hoje eu sorrio menos do que eu gostaria”. Também fiquei me questionando onde foi parar a Emy de alguns anos atrás que se animava com a vida.. Hoje parece que estou no automático. É uma sensação horrível, mas é como você disse: só a gente pode se salvar. E vamos conseguir <3

    Que seu mês de maio seja lindo e leve e que você recupere o seu brilho <3
    Emy recently posted…Life Diary #11 | Um resumo bem resuminhoMy Profile

  • Amanda Zap

    Oi Maira!

    Guriaaaaaaa…. dengue é um porre! Que bom que você está se sentindo melhor e o pior passou.
    Sabe que essa sensação de esgotamento e momentos reflexivos tem batido horrores aqui? Não sei se é uma época, energia esquisita, inquietação, mas eu penso demais em tudo isso. Não pode ser que a gente se perdeu no caminho sem nem notar.

    Torço pra que você consiga se achar de volta, do jeito que mais te faz feliz e bem.
    Abração

    Time

    ZAP GB.

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