A vozinha na minha cabeça
Existe uma vozinha na minha cabeça que não para. Eu já tentei fazer muitas coisas para não pensar demais. Escrevo diariamente para tirar as coisas da cabeça, corro, faço exercícios, medito, leio. Tudo o que eu faço é exatamente para não pensar demais. Mas a vozinha é forte. E aí eu tento fazer outras coisas: vou rezar, vou tomar um passe, faço terapia… e a voz continua. Eu forço para ser mais forte que ela e, quando vejo, eu colapso.
Não sei se você já passou por isso, mas eu passo constantemente. Tem dias em que consigo distanciar essa voz, e ela fica bem longe. E tem dias, como agora, em que a voz está aqui, alta, clara e falante.
Overthinking é pensar demais, ficar presa em coisas sobre as quais não temos controle, criar problemas que nem existem e, como diz minha terapeuta, alimentar pensamentos disfuncionais.
E, nossa, como eu queria conseguir “controlar” essa voz. Eu entendo que não posso pensar ou controlar tudo. Entendo que não faz bem ficar pensando em coisas que nem existem. Mas não é fácil quando a mente acaba sendo mais forte, sabe?
Isso é um desabafo, mas também um chega pra lá em mim mesma. Um lembrete de que as coisas podem ser diferentes. Não precisa ser tão difícil. E não pode continuar sendo assim, porque pensar demais também é criar ansiedade onde ela nem existe. E isso só faz a gente ficar presa em um ciclo extenso e cansativo.
Eu penso demais, e já ouvi isso de muita gente. Tem momentos em que essa fala vem com carinho e atenção, e tem momentos em que vem com julgamento e repreensão.
Um pequeno lembrete para mim: eu não sou os meus pensamentos.
Eu não tenho uma receita pronta para fazer minha mente parar de pensar. Até porque isso envolve muita terapia, autoconhecimento e um trabalho interno de entender até onde vai o nosso limite.
Mas posso dizer que, nesses últimos meses, existem três coisas que venho fazendo e que têm me ajudado a afastar esses pensamentos aleatórios.
1. Leitura
Estou lendo até demais! Quando você encontra um livro que te faz perder a noção do tempo e ficar extremamente empolgada, é esse que vale.
Eu aconselho ficção e histórias que fazem sua mente parar de pensar um pouco na vida real. Tem um adendo: no seu tempo, sem transformar isso em obrigação ou meta. Leia porque o livro despertou essa vontade em você. Funciona melhor para a cabeça quando é por vontade, e não por obrigação.
2. Corrida
A corrida tem um negócio que eu não sei explicar. Nos 5 km em que estou ali correndo, eu foco na minha respiração, no quilômetro percorrido, na rua (para não cair)… e aí são uns 40 minutos em que eu consigo me desconectar de tanta coisa que acontece ao meu redor.
É como se, por alguns minutos, minha cabeça finalmente entendesse que existe algo acontecendo no presente e que eu preciso estar ali, vivendo aquilo.



3. Escrita ativa e consciente
Essa é a mais difícil, confesso. Eu escrevo todas as manhãs sobre os meus sentimentos. E, enquanto escrevo, absorvo o que estou sentindo e começo a me questionar sobre algumas coisas:
São problemas que podem ser resolvidos agora? Se sim, como? Se não, despreocupa.
São coisas que dependem de mim? Se sim, o que depende de mim? Se não, despreocupa.
Esse tipo de pergunta faz você trazer sua visão e seus pensamentos para o agora. Ajuda a entender o que está ao seu alcance e o que você está tentando controlar sem necessidade. E, aos poucos, ajuda a deixar a mente menos falante.
E o bônus premium master: TERAPIA!
Façam terapia. De verdade. Ela pode te dar ferramentas para entender melhor a si mesma, reconhecer seus padrões e aprender a lidar com aquilo que acontece dentro da sua cabeça.
Eu sei que essas são coisas que funcionam para mim, mas adapte aquilo que for necessário para você. Cada pessoa tem seu próprio jeito de lidar com a própria mente, e tudo bem.
Mas uma coisa é certa: pensar demais pode ser exaustivo. Pode alimentar a ansiedade, trazer sentimentos que não fazem bem e fazer a gente sofrer por situações que nem chegaram a acontecer.

Cuidar da mente é fundamental.
E, se tem uma coisa que estou tentando aprender, é que nem todo pensamento precisa ser ouvido, questionado ou resolvido. Às vezes, ele pode simplesmente passar.
Eu não sou os meus pensamentos. E nem tudo o que a minha cabeça me conta é uma verdade.
Um lembrete para mim. E, quem sabe, para você também.

