There as little witch in all of us
Dia 31 de outubro é o Dia das Bruxas, que ficou conhecido como Halloween, All Hallows’ Eve (Véspera de Todos os Santos). Mas eu queria falar um pouco sobre a bruxa que habita dentro de nós. Depois de um outubro marcado por tanta violência contra as mulheres, contra quem somos e pelo direito de existir, vale a pena olhar um pouco para a história.
O Dia das Bruxas tem suas raízes em uma celebração celta chamada Samhain, comemorada em regiões como Irlanda, Escócia e Inglaterra. Ela marcava o fim do verão e o início do ano novo celta. Os celtas acreditavam que, nessa época, a barreira entre o mundo dos vivos e o dos mortos ficava mais tênue, permitindo que os espíritos vagassem pela Terra. Para quem tiver um pouco mais de curiosidade, vale a leitura: National Geographic Brasil — Qual é a origem do Dia das Bruxas?

A questão é que eu sempre fui bruxa. Sempre gostei do que as bruxas representavam para mim: poder, aceitação, autonomia, natureza e beleza. A palavra bruxa nunca foi algo ruim ou errado. Pelo contrário, ela sempre teve um poder imenso sobre mim.
Quando passei oito meses na Irlanda e tive a oportunidade de conhecer a Escócia, senti que pertencia àquele lugar. Existia muita dor, muito sofrimento, mas também existiam poder, luz e significado.
As bruxas, antigamente, eram conhecidas como curandeiras e mulheres sábias, que utilizavam o poder da natureza. Muitas também eram mulheres independentes, parteiras, viúvas ou pessoas marginalizadas que desafiavam as normas patriarcais e sociais da época.
Notaram a semelhança com o que está acontecendo no Brasil e no mundo hoje? Eu não ia misturar política neste texto, mas vocês entendem que tudo é política?
As mulheres acusadas de bruxaria foram perseguidas, julgadas e, em muitos casos, condenadas à morte, inclusive na fogueira, simplesmente por existirem de uma maneira que incomodava. Histórias e acusações de pactos com o Diabo alimentaram essas perseguições, movidas pelo preconceito e pelo desejo de controlar as mulheres, seus conhecimentos e sua liberdade, muitas vezes em nome da religião.
Séculos se passaram, e a gente continua vendo essa caça às mulheres. Por motivos que, infelizmente, não parecem tão distantes daqueles de antigamente: preconceito, controle, tentativas de nos domesticar e a imposição de crenças acima da nossa própria liberdade.
Mas o que tudo isso tem a ver?
Toda mulher tem um pouco de bruxa dentro de si. Seja por querer mais liberdade, direitos iguais, viver sem violência ou simplesmente por desejar que seu corpo não seja sexualizado a cada minuto. Ou, ainda, pelo simples fato de querer seguir outra religião, ou nenhuma.
A bruxa não é aquela imagem que passamos anos aprendendo a reconhecer: a mulher velha, feia, cheia de rugas, com risadas maléficas e que adora o Diabo. Não!

Somos as mulheres que combatem a misoginia. Que lutam pelo direito de ser, de existir e de pertencer. Somos fortes, somos natureza, somos criação. Somos mulheres que querem escolher seus próprios caminhos, sem precisar pedir licença ou se justificar por isso.vSomos livres. E é justamente essa liberdade que tantas mulheres de outros tempos tiveram negada e pela qual tantas lutaram. É essa mesma liberdade que a gente ainda busca hoje.
Então, deixe a bruxa dentro de você se soltar. Ela não é sinônimo de azar ou de algo ruim. É sinônimo de liberdade. É poder. É a coragem de não se encaixar no que esperam de você.
Neste Dia das Bruxas, solte essa bruxa em você. Deixe-a pairar, dançar, ocupar espaço. Deixe que ela exista dentro daquilo que você sente que é.
Feliz Dia das Bruxas! 🖤
Dicas para ver!
A descoberta das Bruxas – série Netflix baseada de um livro
As Bruxas Mayfair – série Netflix baseada de um livro
Charmed nova geração – série Prime Video
Jovens Bruxas – Filme antigo e o novo são maravilhosos!
E para a lista não ficar cheia, aqui tem vários outros filmes: Filmes Bruxas

