T E X T O S

Será que perdemos a capacidade de amar?

Reflexões vem e vão na minha cabeça. E escrever tira um pouco de tudo que ta aqui dentro. Eu sempre fui romântica, sonhei com o amor, desejava o amor, via aqueles filmes suspirando. Após algumas desilusões e uma queda da torre da princesa, estou entendendo melhor sobre todos os pontos em que o amor está. Vendo o que anda acontecendo com o mundo, muitos casais se separando, e muitas pessoas desistindo, me veio a pergunta, será que perdemos a capacidade de amar?

Estou revendo Sexy and the City, uma série que foi gravada na começo dos anos 2000, e me trouxe a tona questionamentos, e assuntos que ainda discutimos com muito afinco, 25 anos depois. É assustador, que muita coisa evoluiu, a internet, inteligência artifcial, redes sociais, mundo digital, a rapidez das noticias, das fofocas, de se comunicar com pessoas do outro lado do mundo, evoluimos nas nossas tradições, na forma de comunicar, de conversar, de viver, rotina, tudo mudou muito. Mas com tudo isso, a gente vem enxergando um mundo com menos relação e conexao verdadeira, e mais virtual possível.

Vendo isso, a pergunta fica mesmo no ar, será que perdemos a capacidade de amar? e quando digo amor, não estou falando apenas de amor amoroso, estou falando do amor, do carinho, da atenção, do interesse genuino, por aquela pessoa. Família, amigos, amor amoroso, o amor ta cada vez mais rotineiro, falar eu te amo hoje, virou rotina, virou arroz com feijão…

eu sempre acreditei no amor, entre duas pessoas, entre pais e filhos, família, amigas. Eu sou uma eterna romântica, que vê a vida assim, mas depois de tantas decepções, os filmes de romamce que eu amava, já não faz tanto sentindo, o olhar que eu tinha pra essa vida, já também não faz mais sentido… você acha pessoas desinteressadas, e desinteressantes, você percebe que cada um ta correndo com a sua própria vida, seus próprio problemas, olhando pra baixo, pra uma tela de celular… sem olhar pra frente, pros lados, como robôs que foi programado pra isso.

Nós perdermos a capacidade de amar, de amar o próximo, o outro, de amar os momentos que vivemos, de amar a doçura de um jantar a luz de velas, um piquenique de manhã, as risadas verdadeiras, amar os momentos leves, onde nada é grandioso para ser postado, onde tem simplicidade, mas muito amor envolvido.

Eu costumo sentir esse amor em Minas Gerais, onde eu vejo as minhas tias, mulheres fortes, lindas, de mais de 70 anos, fazendo bolo, pão de queijo, sem nada em troca, apenas por amor, por querer agradar com carinho aqueles que elas amam. O amor não era pra ser um monstro de 7 cabeças, que a gente ouve por ai, vemos pessoas machucadas, pessoas frias, pessoas que não sabem nem com receber amor. Ou pessoas como eu, que parece ter um copo cheio de amor para dar e que talvez não tenha pessoas que podem receber..

Em um mundo onde conseguimos tudo, em tão pouco tempo.o amor está escasso, e acabando em cada geração, em cada invenção tecnológica, onde tudo é digital, a conexão verdadeira vai perdendo espaço… e o amor fica apenas nas palavras, e não nas ações..

2 Comentários

  • Bruna Both

    Oii Maira!
    Amei a reflexão do teu post e confesso que ele me fez lembrar um TED talk que eu assisti esses dias, falando que nosso bem mais precioso agora é o tempo. Tempo = dinheiro.

    Quanto mais tempo eu tenho pra produzir, mais eu lucro, quanto mais eu lucro, mais eu uso o tempo a meu favor para investir e ganhar mais dinheiro para produzir, lucrar e repeat.

    Ultimamente eu tenho pensado que uma das maiores demonstrações de amor que a gente pode oferecer (tanto em amores românticos, quanto amores de família e amigos) é justamente isso: o tempo. Quando eu pego meu tempo para mandar uma mensagem para alguém que gosto ao invés de ficar ‘scrolling’ no Tiktok, quando eu pego meu tempo pra ir no mercado comprar ingredientes pra assar um bolinho pra alguém, quando eu escrevo uma cartinha, convido alguém para passar um tempo comigo, estou presenteando a pessoa com o que eu mais tenho de valor. E vamos e viemos, o que mais marca na memória são os momentos que a gente passou com nossos amores. Aquele tempinho que a gente pegou para fazer algo pra si mesma também.

    Não acho que perdemos nossa capacidade de amar, mas num geral fomos condicionadas a achar que nosso tempo é só produzir conteúdo, todo rolê é pra fazer foto de look, nossa rotina é só trabalho – e nesse caminho esquecemos que rolês são sobre pessoas&interações sociais. Que redes sociais são sobre pessoas fazendo coisinhas humanas.

    Sou super a favor de começarmos a oferecer nossos tempinhos e carinhos para mais pessoas. Também super indico um livro que eu amei demais que é “A carícia essencial, de Roberto Shinyashiki”. Ele fala bastante sobre esses momentos que a gente dedica pra si e para as pessoas e o quanto esses momentos fazem falta quando a gente vive no automático.

    Abraçãooooo!
    Bruna Both recently posted…Procura-se minha família (II)My Profile

  • Igor Medeiros

    Que delícia cair aqui e já vir com esse questionamento.

    Tenho pensado muito nos últimos meses sobre interações e relações com outras pessoas, sobre como fomos condicionados a certos conceitos e nunca paramos para questioná-los, coisas como o amor, traição, fidelidade são conceitos que foram dogmatizados ainda quando crianças enquanto liamos livros, viamos filmes e nos baseávamos nas histórias de outras pessoas.

    Acredito que a tecnologia permitiu ver que existem outras formas de amar além da forma romântica-monogâmica e acho que as pessoas ainda estão entendendo o amor e o que é a ideia de amor. Mas, como quase tudo na vida tem dois lados, a tecnologia (redes sociais e ia) está desenhada para construir essa “independência” em que não precisamos de ninguém, que é sempre melhor machucar do que sair machucado, as horas que passamos vendo vídeos curtos e não nos questionando sobre as pessoas à nossa volta. Isso acaba nos afastando de qualquer conexão profunda para com o outro.

    É muito triste porque está todo mundo carente e com tantas dores internas e acho que vamos continuar assim por mais algum tempo. Cada vez mais sozinhos e sabendo que não é de fato culpa nossa (ou é).
    Igor Medeiros recently posted…Eu deveriaMy Profile

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